Doutrina Espírita


Doutrina espírita, espiritismo ou kardecismo,[1][2][3] segundo a definição de seu codificador, o pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail – que adotou o pseudônimo Allan Kardec – é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos Espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal.[4]

A doutrina espírita é baseada nos cinco livros da Codificação Espírita escrita pelo educador francês Hippolyte Léon Denizard Rivail, sob o pseudônimo de Allan Kardec, descrevendo sessões em que ele observou uma série de fenômenos que ele atribuiu à inteligência incorpórea (espíritos). Sua premissa da comunicação do espírito foi validada por muitos contemporâneos, entre eles muitos cientistas e filósofos que participaram das sessões e estudaram os fenômenos. Seu trabalho foi posteriormente prorrogado por escritores como Léon Denis, Arthur Conan Doyle, Camille Flammarion, Ernesto Bozzano, Chico Xavier, Divaldo Pereira Franco, Waldo Vieira, Johannes Greber e outros.[5]

O Espiritismo tem adeptos em muitos países em todo o mundo, incluindo Espanha, Estados Unidos, Canadá,[6] Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Argentina, Portugal e especialmente em alguns países americanos, como Cuba, Jamaica e Brasil, que tem uma das maiores proporções e o maior número de seguidores do espiritismo em sua população.[7]

Historicamente, na França e no Brasil, existiram e ainda há conflitos entre “kardecistas” e “roustainguistas“, consoante a admissão ou não dos postulados da obra “Os Quatro Evangelhos“, coordenada por Jean-Baptiste Roustaing, nomeadamente acerca da natureza do corpo de Jesus. Para os chamados “roustainguistas” Jesus teve um “corpo fluídico”, de origem material diferente da nossa matéria, já o os ditos “kardecistas” acreditam que Jesus possuia um corpo de origem material, como de qualquer ser humano.[8][9]

Índice

[esconder]

[editar] Etimologia e uso

Primeira aparição de “espiritualismo” na literatura francesa. O Livro dos Espíritos, p. 1, abril de 1857.

O termo espiritismo (do francês antigospiritisme“, onde “spirit“: espírito + “isme“: doutrina) surgiu como um neologismo, mais precisamente uma palavra-valise, criada pelo pedagogo francês Hippolyte Léon Denizard Rivail (conhecido por Allan Kardec) para nomear especificamente o corpo de ideias por ele sistematizadas em “O Livro dos Espíritos” (1857).

Contudo, a utilização do termo, cuja raiz é comum a diversas nações ocidentais de origem latina ou anglo-saxônica, fez com que ele fosse rapidamente incorporado ao uso cotidiano para designar tudo o que dizia respeito à comunicação com os espíritos. Assim, por espiritismo, entendem-se hoje as várias doutrinas religiosas e/ou filosóficas que crêem na sobrevivência dos espíritos à morte dos corpos, e, principalmente, na possibilidade de se comunicar com eles, casual ou deliberadamente, via evocações ou espontânea. Essa apropriação do termo cunhado por Kardec, por parte de adeptos de outras tradições espiritualistas, é criticada pelos seguidores contemporâneos do pedagogo francês, que o reivindicam para designar a sua doutrina específica.

O termo “kardecista” é repudiado por parte dos adeptos da doutrina que reservam a palavra “espiritismo” apenas para a doutrina tal qual codificada por Kardec, afirmando não haver diferentes vertentes dentro do espiritismo, e denominam correntes diversas de “espiritualistas[10]. Estes adeptos entendem que o espiritismo, como corpo doutrinário, é um só, o que tornaria redundante o uso do termo “espiritismo kardecista”. Assim, ao seguirem os ensinamentos codificados por Allan Kardec nas obras básicas (ainda que com uma tolerância maior ou menor a conceitos que não são estritamente doutrinários, como a apometria), denominam-se simplesmente “espíritas”, sem o complemento “kardecista”.[10] A própria obra desaprova o emprego de outras expressões como “kardecista”, definindo que os ensinamentos codificados, em sua essência, não se ligam à figura única de um homem, como ocorre com o cristianismo ou o budismo, mas a uma coletividade de espíritos que se manifestaram através de diversos médiuns naquele momento histórico, e que se esperava continuassem a comunicar, fazendo com que aquele próprio corpo doutrinário se mantivesse em constante processo evolutivo, o que não se teria verificado, ja que as obras básicas teriam permanecido inalteradas desde então.[carece de fontes?] Outra parcela dos adeptos, no entanto, considera o uso do termo “kardecismo” apropriado.[11] O uso deste termo é corroborado por fontes lexicográficas como o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa[12], o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa[13], o Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa[14] e o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa.[15]

José Lacerda de Azevedo, médico espírita brasileiro, compreendia o kardecismo como uma “prática ou tentativa de vivência da Doutrina Espírita” criado por brasileiros “permeada de religiosidade, com tendência a se transformar em crença ou seita”.[16]

As expressões nasceram da necessidade de alguns em distinguir o “espiritismo” (como originalmente definido por Kardec) dos cultos afro-brasileiros, como a Umbanda. Estes últimos, discriminados e perseguidos em vários momentos da história recente do Brasil, passaram a se auto-intitular espíritas (em determinado momento com o apoio da Federação Espírita Brasileira[17]), num anseio por legitimar e consolidar este movimento religioso, devido à proximidade existente entre certos conceitos e práticas destas doutrinas. Seguidores mais ortodoxos de Kardec, entretanto, não gostaram de ver a sua prática associada aos cultos afro-brasileiros, surgindo assim o termo “espírita kardecista” para distingui-los dos que passaram a ser denominados como “espíritas umbandistas”.

[editar] História

Allan Kardec, o codificador e sistematizador da Doutrina Espírita.

Durante o século XIX houve uma grande onda de manifestações mediúnicas nos Estados Unidos e na Europa. Estas manifestações consistiam principalmente de ruídos estranhos, pancadas em móveis e objetos que se moviam ou flutuavam sem nenhuma causa aparente. Entre eles destacou-se o caso das Irmãs Fox, nos EUA.

Em 1855, o professor Denizard Rivail, que depois adotou o pseudônimo de Allan Kardec, lançou-se à investigação do fenômeno, bastante comum à época, das mesas girantes ou dança das mesas, em que mesas e objetos em geral pareciam animar-se de uma estranha vitalidade. Inicialmente cético, chegou a afirmar: “Eu crerei quando vir e quando conseguirem provar-me que uma mesa dispõe de cérebro e nervos, e que pode se tornar sonâmbula; até que isso se dê, deem-me a permissão de não enxergar nisso mais que um conto para dormir em pé“. Após dois anos de pesquisas, não viu constatação de fraudes e nem um motivo para englobar todos os acontecimentos dessa ordem no âmbito das falácias e/ou charlatanices. Pessoalmente convencido não só da realidade do fenômeno, que considerou essencialmente real apesar das mistificações existentes, mas também da possibilidade dele ser causado por espíritos, Rivail deu um passo adiante: em lugar de dedicar o resto de sua vida à busca por “provar cientificamente” a explicação mediúnica para os fenômenos, procurou extrair da possibilidade de que fossem causados pela ação de espíritos algo de útil para a humanidade.

A robusta formação humanística por que passara, bebendo diretamente de Pestalozzi, discípulo dileto de Rousseau, não poderia limitá-lo a uma pesquisa meramente naturalista. A necessidade de dar algum suporte à espiritualidade humana numa época em que a ciência avançava a passos largos e as religiões perdiam cada vez mais adeptos despertou em Kardec a ideia de um novo modo de pensar o real, que unisse, de forma ponderada, a ascendente Ciência e a decadente Religião, mediadas pela racionalidade filosófica. Assim, Kardec fez uso do empirismo científico para investigar os fenômenos, da racionalidade filosófica para dialogar com o que presumiu serem espíritos e analisar suas proposições, e buscou extrair desses diálogos consequências éticomorais úteis para o ser humano. Surgia aí, mais precisamente em 18 de abril de 1857, a doutrina espírita, sistematizada na primeira edição de O Livro dos Espíritos.

[editar] Primeiras observações

A médium Eusápia, num experimento controlado por Alexandre Aksakof em 1892.

Segundo alguns seguidores da doutrina espírita, os fenômenos mediúnicos seriam universais e teriam sempre existido, inclusive com fartos relatos na Bíblia, mas os espíritas e muitos outros defensores da explicação mediúnica para os chamados “fenômenos sobrenaturais” ou “paranormais” adotam a data de 31 de março de 1848 como o marco inicial das modernas manifestações mediúnicas, alegadamente mais ostensivas e frequentes do que jamais ocorrera, o que levou muitos pesquisadores a se debruçarem sobre tais fenômenos. Afirmam, contudo, que acontecimentos envolvendo espíritos (pessoas que já morreram) existem desde os primórdios da humanidade.[carece de fontes?]

Entre outros, citam como exemplo os comentários de Platão ao falar sobre o dáimon ou gênio que acompanharia Sócrates; a proibição de Moisés à prática da “consulta aos mortos”, que seria uma evidência da crença judaica nessa possibilidade, já que não se interdita algo irrealizável; e a comunicação de Jesus com Moisés e Elias no Monte Tabor, citada em Mt, 17, 1-9.

[editar] Estudo sobre as mesas girantes

Segundo os biógrafos, Allan Kardec foi convidado por Fortier, um amigo estudioso das teorias de Mesmer, a verificar o fenômeno das mesas girantes com a disposição de observar e analisar os fenômenos que despertavam curiosidade no século XIX.

As primeiras manifestações tidas como mediúnicas aconteceram por meio de mesas se levantando e batendo, com um dos pés, um número determinado de pancadas e respondendo, desse modo, sim ou não, segundo fora convencionado, a uma questão proposta.

Kardec, em analisando esses fenômenos, concluiu que não havia nada de convincente neste método para os céticos, porque se podia acreditar num efeito da eletricidade, cujas propriedades eram pouco conhecidas pela ciência de então. Foram então utilizados métodos para se obter respostas mais desenvolvidas por meio das letras do alfabeto: o objeto móvel, batendo um número de vezes corresponderia ao número de ordem de cada letra, chegando, assim, a formular palavras e frases respondendo às perguntas propostas.

Kardec concluiu que a precisão das respostas e sua correlação com a pergunta não poderiam ser atribuídas ao acaso. O ser misterioso que assim respondia, quando interrogado sobre sua natureza, declarou que era um espírito ou gênio, deu o seu nome e forneceu diversas informações a seu respeito.

[editar] Princípios

Nascido no século XIX, no dia 18 de Abril de 1857, com a publicação de O Livro dos Espíritos, o Espiritismo se estruturou a partir de diálogos estabelecidos por espíritos desencarnados que, se manifestando por meio de médiuns, discorreram sobre temas religiosos sob a ótica da Moral Cristã, ou seja, tendo por princípio o amor ao próximo. Desta forma foi estabelecido o preceito primário da Doutrina, de que só é possível buscar o aprimoramento espiritual através da caridade aos semelhantes (Lema: Fora da caridade não há salvação), além de trazer a luz novas perspectivas sobre diversos temas de grande relevância filosófica e teológica.

O Espiritismo se caracteriza pelo ideal de compreensão da realidade mediante a integração entre as três formas clássicas de conhecimento, que seriam a ciência, a filosofia e a moral. Segundo Kardec, cada uma delas, tomada isoladamente, tende a conduzir a excessos de ceticismo, negação ou fanatismo.[carece de fontes?] A doutrina espírita se propõe, assim, a estabelecer um diálogo entre as três, visando à obtenção de uma forma original que, a um só tempo, fosse mais abrangente e mais profunda, para desta forma melhor compreender a realidade. Kardec sintetiza o conceito com a célebre frase: “Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão em todas as épocas da humanidade”[18].

É importante ressaltar ainda que, quem quer que acredite haver em si alguma coisa mais do que matéria é, por definição, espiritualista, independente de sua religião, sendo, portanto, o espiritualismo enquanto oposição ao materialismo, o pilar fundamental da maioria das doutrinas religiosas. No caso do Espiritismo, a principal diferença entre esta doutrina e a maioria das demais religiões é sua crença na possibilidade de comunicação entre o mundo corporal e o mundo espiritual, contudo, a fé nesta possibilidade de comunicação gera grande confusão por parte dos leigos entre o Espiritismo e as religiões afro-brasileiras, contudo, cada uma delas possui origens completamente distintas umas das outras.

Allan Kardec, em “Obras Póstumas“, propõe que o espiritismo seja uma doutrina natural, passível de ser interpretada ou não como religião pelos homens, isto é, capaz de colocar o homem – ou o espírito – diretamente em relação com Deus.

Quadro retratando a Evolução espiritual, segundo a ótica da Doutrina Espírita.

A doutrina espírita, de modo geral, fundamenta-se nos seguintes pontos:

  • Na existência e unicidade de Deus, desconstruindo o dogma da Santíssima Trindade;
  • Na existência e imortalidade do espírito, compreendido como individualidade inteligente da Criação Divina (para Kardec, a ligação entre o espírito e o corpo físico, é feita por meio de um conectivo “semimaterial” que denomina de perispírito);
  • Na defesa da reencarnação como o mecanismo natural de aperfeiçoamento dos espíritos;
  • No conceito de criação igualitária de todos os espíritos, “simples e ignorantes” em sua origem, e destinados invariavelmente à perfeição, com aptidões idênticas para o bem ou para o mal, dado o livre-arbítrio;
  • Na possibilidade de comunicação entre os espíritos encarnados (“vivos”) e os espíritos desencarnados (“mortos”), por meio da mediunidade (Essa comunicação é realizada com o auxílio de pessoas com determinadas capacidades – os médiuns, como por exemplo a chamada “escrita automática” (psicografia).[19]);
  • Na Lei de Causa e Efeito, compreendida como mecanismo de retribuição ética universal a todos os espíritos, segundo a qual nossa condição é resultado de nossos atos passados;
  • Na pluralidade dos mundos habitados, a ideia de que a Terra não é o único planeta com vida inteligente no universo.

Além disso, podem-se citar como características secundárias:

  • A noção de continuidade da responsabilidade individual por toda a existência do Espírito;
  • Progressividade do Espírito dentro do processo evolutivo em todos os níveis da natureza;
  • Volta do Espírito à matéria (reencarnação) tantas vezes quantas necessárias para alcançar a perfeição. Os espíritas não creem na metempsicose.
  • Ausência total de hierarquia sacerdotal;
  • Abnegação na prática do bem, ou seja, não se deve cobrar pela prática da caridade nem o fazer visando a segundas intenções;
  • Uso de terminologia e conceitos próprios, como, por exemplo, perispírito, Lei de Causa e Efeito, médium, Centro Espírita;
  • Total ausência de culto a imagens, altares, etc;
  • Ausência de rituais institucionalizados, a exemplo de batismo, culto ou cerimônia para oficializar casamento;
  • Incentivo ao respeito para com todas as religiões e opiniões.

Embora a Doutrina Espírita não seja oriunda do Brasil, este é o país que possui a maior quantidade de adeptos.[20] A Federação Espírita Brasileira, que integra o Conselho Espirita Internacional, é a principal entidade divulgadora da Doutrina Espírita no Brasil. Outra organização de vulto é a Confederação Espírita Pan-Americana. Esta última não concebe o espiritismo como religião, centrando-se apenas nos seus aspectos filosóficos e científicos.

Com relação à questão da reencarnação, ela também não é pacífica, como ilustrado quando do V Congresso Internacional de Barcelona (1934) onde, depois de extensas discussões, ficou estabelecido que:

…os espíritas latinos e hindus, representados pelos delegados da Bélgica, Brasil, Cuba, Espanha, França, Índia, México, Portugal, Porto Rico, Argentina, Colômbia, Suíça e Venezuela, afirmam a reencarnação como lei de vida progressiva, segundo a frase de Allan Kardec: ‘Nascer, morrer, renascer e progredir sempre’, e a aceitam como uma verdade de fato. Os espíritas não-latinos, representados no Congresso pelos delegados da Inglaterra, Irlanda, Holanda e África do Sul, consideram não haver demonstração suficiente para estabelecer a doutrina da reencarnação formulada por Kardec. Cada escola, portanto, fica em liberdade para proclamar as suas convicções a respeito de reencarnação.[21]

[editar] Obras básicas

Ver artigo principal: Obras básicas do espiritismo

A seguir são apresentadas algumas das principais obras publicadas por Allan Kardec, entre as quais encontram-se as chamadas obras básicas do espiritismo.

Publicação do Livro dos Espíritos de 1860 em Paris.

Publicação do livro O Que é o Espiritismo? de 1868 em Paris.

  • O Livro dos Espíritos
Ver artigo principal: O Livro dos Espíritos

O Livro dos Espíritos[22], publicado em 1857, nele estão contidos os princípios fundamentais da Doutrina Espírita

  • Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas

Este livro foi publicado em 1858 por Allan Kardec, porém com uma pequena tiragem. Em vez de reeditá-lo, Kardec preferiu diluir o seu conteúdo nas novas edições d’O Livro dos Espíritos e, futuramente, em O Livro dos Médiuns.

  • O Que é o Espiritismo?
Ver artigo principal: O Que é o Espiritismo?

O livro O Que é o Espiritismo?, publicado em 1859, é uma introdução didática sobre a Doutrina Espírita.

  • O Livro dos Médiuns
Ver artigo principal: O Livro dos Médiuns

O Livro dos Médiuns[23], ou “Guia dos Médiuns e dos Evocadores”, foi publicado em 1861 e versa sobre o caráter experimental e investigativo do espiritismo, visto como ferramenta teórico-metodológica para se compreender uma “nova ordem de fenômenos”, até então jamais considerada pelo conhecimento científico: os fenômenos ditos espíritas ou mediúnicos, que teriam como causa a intervenção de espíritos na realidade física.

  • Evangelho Segundo o Espiritismo
Ver artigo principal: O Evangelho Segundo o Espiritismo

O livro O Evangelho Segundo o Espiritismo[24], publicado em 1864, avalia os evangelhos canônicos sob a óptica da doutrina espírita, tratando com atenção especial a aplicação dos princípios da moral cristã e de questões de ordem religiosa como a prática da adoração, da prece e da caridade.

  • O Céu e o Inferno
Ver artigo principal: O Céu e o Inferno

O livro O Céu e o Inferno[25], ou “A Justiça Divina segundo o Espiritismo”, foi publicado em 1865 e compõe-se de duas partes: na primeira, Kardec realiza um exame crítico da doutrina católica sobre a transcendência, procurando apontar contradições filosóficas e incoerências com o conhecimento científico superáveis, segundo ele, mediante o paradigma espírita da fé raciocinada. Na segunda, constam dezenas de diálogos que teriam sido estabelecidos entre Kardec e diversos espíritos, nos quais estes narram as impressões que trazem do além-túmulo.

  • A Gênese
Ver artigo principal: A Gênese

O livro A Gênese[26], ou “Milagres e as Predições segundo o Espiritismo”, foi publicado em 1868 e aborda diversas questões de ordem filosófica e científica, como a criação do universo, a formação dos mundos, o surgimento do espírito e a natureza dos ditos milagres, segundo o paradigma espírita de compreensão da realidade.

[editar] Dissidências

[editar] Racionalismo cristão

Ver artigo principal: Racionalismo cristão

Na cidade brasileira de Santos, em 1910 surgiu uma dissidência do movimento espírita, que se denominou “Espiritismo Racional e Científico Cristão” e, posteriormente, Racionalismo cristão, sistematizada por Luís de Matos e Luís Alves Tomás.

[editar] Ramatizismo

Ver artigo principal: Ramatis

No Brasil, desde a segunda metade da de 1950, alguns centros espíritas seguem a doutrina ditada pelo espírito Ramatis (corporificada sobretudo nas obras psicografadas por Hercílio Maes). Distinguem-se dos centros espíritas tradicionais em função da maior ênfase ao universalismo (origem comum das religiões) e ao estudo comparado de religiões e filosofias espiritualistas ocidentais e orientais. Nota-se também a influência mais acentuada de correntes de pensamento orientais (tais como o budismo e o hinduísmo) e a proximidade com a cosmogonia do espiritualismo universalista.

[editar] Apometria

Ver artigo principal: Apometria

Surgiu no Brasil, na década de 1960, como uma forma de tratamento alternativo a doentes desenganados. Através de um trabalho de sistematização coordenado pelo Dr. José Lacerda de Azevedo, do Hospital Espírita de Porto Alegre, foram fixadas as Leis da Apometria.

[editar] Conscienciologia

Ver artigo principal: Conscienciologia
Ver artigo principal: Projeciologia

Surgiu no Brasil, em meados da década de 1960, com o fim da parceria entre Chico Xavier e Waldo Vieira, quando este último iniciou pesquisa própria com o que denominou projeção da consciência.

[editar] Renovação Cristã

Ver artigo principal: Renovação Cristã

Surgida no Brasil, também como uma dissidência do movimento espírita, desde setembro de 2002. Sem deixar de seguir a Doutrina Espírita, afirma fazê-lo com maior seriedade do que o movimento brasileiro em si, argumento usado para o afastamento.

[editar] Organizações

[editar] Federação Espírita Brasileira

A Federação Espírita Brasileira foi fundada em 2 de janeiro de 1884, no Rio de Janeiro. Em 2004 completou 120 anos. É uma sociedade civil, religiosa, educacional, cultural e filantrópica, que tem por objeto o estudo, a prática e a difusão do Espiritismo em todos os seus aspectos, com base nas obras da codificação de Allan Kardec e nos Evangelhos canônicos. O Departamento Editorial da FEB possui um catálogo de mais de 400 títulos que totalizam 39 milhões de livros vendidos. Todos inspirados na Codificação Kardequiana: romances, mensagens, contos, crônicas, textos científicos e filosóficos, além de CD-ROMs, vídeos, apostilas e CDs de canções espíritas.

[editar] Conselho Espírita Internacional

O Conselho Espírita Internacional (CEI) é um organismo resultante da união das associações representativas dos movimentos espíritas nacionais. Foi constituído em 28 de novembro de 1992 em Madrid, na Espanha. Seus objetivos são:

  • Promoção da união solidária e fraterna das instituições espíritas de todos os países e a unificação do movimento espírita mundial;
  • Promoção do estudo e da difusão da Doutrina Espírita em seus três aspectos básicos, quais sejam o científico, o filosófico e o religioso;
  • Promoção da prática da caridade material e moral, conforme ensina a Doutrina Espírita.

O principal evento organizado pelo CEI é o Congresso Espírita Mundial, realizado a cada três anos.

[editar] Confederação Espírita Pan-Americana

A Confederação Espírita Pan-Americana, fundada em 5 de outubro de 1946 na Argentina, é uma instituição internacional, que congrega majoritariamente espíritas da América Latina. A CEPA possui instituições adesas e filiadas em diversos países, e defende uma visão laica a respeito do espiritismo. A organização assume posicionamentos polêmicos entre os espíritas, como a desvinculação entre a doutrina e o cristianismo e a necessidade de se atualizar o espiritismo em face da ciência. Desde o dia 13 de outubro de 2000, a sede da CEPA passou a ser Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A atuação da CEPA no Brasil se dá, principalmente, através de eventos promovidos por instituições adesas, como o Fórum do Livre Pensar Espírita e o Simpósio Brasileiro do Pensamento Espírita.

[editar] Espiritismo no mundo

O espiritismo possui cerca de 15 milhões de adeptos ao redor do mundo,[27] sendo que desses 2,3 milhões são brasileiros.[28] O Conselho Espírita Internacional (CEI) tem 33 países membros, sendo eles: Alemanha, Angola, Argentina, Austrália, Áustria, Bélgica, Bolívia, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Cuba, El Salvador, Espanha, Estados Unidos, França, Guatemala, Holanda, Honduras, Itália, Japão, México, Noruega, Nova Zelândia, Panamá, Paraguai, Peru, Portugal, Reino Unido, Suécia, Suíça, Uruguai e Venezuela.[29]

[editar] Brasil

Festival espírita “Allan Kardec” em São Paulo, 2010.

Divulgado em praticamente toda a Europa no século XIX, o Espiritismo chegou ao Brasil em 1865. Teve através de Bezerra de Menezes e Chico Xavier a oportunidade de se popularizar, espalhando seus ensinamentos por grande parte do território brasileiro. Hoje, o país é o que reúne o maior número de espíritas em todo o mundo. A Federação Espírita Brasileira – entidade de âmbito nacional do movimento espírita – congrega aproximadamente dez mil instituições espíritas, espalhadas por todas as regiões do país.

Atualmente, o Brasil possui 2,3 milhões de espíritas, de acordo com o último censo[28] realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2000. Com efeito, o IBGE trata os termos Kardecismo e Espiritismo como equivalentes em sua classifição censitária.[30]

Terceiro maior grupo religioso do País, os espíritas são, também, o segmento social que têm maior renda e escolaridade, segundo os dados do mesmo Censo. Os espíritas têm sua imagem fortemente associada à prática da caridade. Eles mantêm em todos os estados brasileiros asilos, orfanatos, escolas para pessoas carentes, creches e outras instituições de assistência e promoção social. Allan Kardec, o codificador do espiritismo, é uma personalidade bastante conhecida e respeitada no Brasil. Seus livros já venderam mais de 20 milhões de exemplares em todo o País. Se forem contabilizados os demais livros espíritas, todos decorrentes das obras de Allan Kardec, o mercado editorial brasileiro espírita ultrapassa 4.000 títulos já editados e mais de 100 milhões de exemplares vendidos.

[editar] Cuba

Após a legalização das religiões em Cuba, houve um renascimento do espiritismo, que vinha ocorrendo no país desde o século XIX.

Segundo dados do Ministério das Religiões, em Cuba, há 400 centros espíritas e mais 200 sendo registrados, tornando o país o segundo país mais espírita do mundo, por número de centros. A Associação Médico Espírita de Cuba é a com o maior número de militantes na Associação Médico-Espírita Internacional.[31]

[editar] Fenômenos espíritas e a ciência

Crystal Clear app xmag.pngVeja também: Tratamento espiritual.

Alegada materialização de um rosto de ectoplasma, pela médium Eva Carrière (1912).

A investigação dos fatos e causas do fenómeno mediúnico é objecto de estudo pela Pesquisa Psíquica, ramo da parapsicologia (substituindo a metapsíquica). Seu primeiro interesse é o de verificar a ocorrência dos aludidos factos, mediante o uso de metodologia própria, que inclui a estatística e o chamado teste duplo-cego. Faz-se investigação científica também em âmbito universitário, mas os resultados obtidos até o momento não permitem a conclusão científica da existência de espíritos.

Para além dos aspectos doutrinais, existe uma diversidade de práticas que vêm suscitando uma crescente curiosidade dos pesquisadores da área – a ectoplasmia, psicoquinesia, levitação, telepatia, clarividência, clariaudiência, pré-cognição via onírica (sonhos), psicografia, psicopictografia, medicina e cirurgia mediúnica, radiestesia e rabdomancia.

Kardec, no preâmbulo de “O Que É o Espiritismo?“, afirma que ele “é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como de suas relações com o mundo corporal“. Dentro dessa perspectiva, Kardec teria fundado o que naquele momento se chamou de “ciência espírita”,[nb 1] tendo como objecto de estudo o espírito e adotando uma postura teórico-metodológica própria, ou seja, não baseada no método científico.[nb 2]

É pois importante ressaltar que o termo ciência, quando associado ao espiritismo, figura com significado lato e não com a acepção estrita encontrada em cadeiras como física, química, biologia ou qualquer das demais cadeiras que integram as ciências naturais, onde um estudo científico – uma teoria científica – deve necessariamente obedecer a todas as delimitações definidas pelo método científico. Frente à acepção moderna, espiritismo não é uma ciência, embora possa ou venha, em certos casos, lançar mão da filosofia inerente a esta última [nb 3] [nb 4][32] [33]

Na “Revue Spirite“, que publicou até à sua morte, Kardec analisa vários relatos de fenômenos aparentemente mediúnicos ou sobrenaturais, oriundos de diversas partes do mundo. Esmerava-se por distinguir os acontecimentos que considerava verossímeis de charlatanismo e da simples imaginação superexcitada pela .

Na década de 1960 a pesquisa sobre reencarnação obteve repercussão graças ao trabalho de Ian Stevenson, nomeadamente com a publicação de “Twenty Cases Suggestive of Reincarnation” (1966).

[editar] Relação com as outras religiões

A posição oficial da Igreja Católica proíbe terminantemente aos seus fiéis assistir a sessões mediúnicas realizadas ou não com auxílio de médiuns espíritas – mesmo que estes pareçam ser honestos ou piedosos – quer interrogando os espíritos e ouvindo suas respostas, quer assistindo por mera curiosidade. Posições similares têm as religiões evangélicas.

No entanto, a Igreja Católica não nega a possibilidade física de comunicação com entidades espirituais. Em pesquisas recentes, sob a tutela do Papa João Paulo II, o Padre François Brune publicou o livro Os Mortos nos Falam, em que defende a realidade das comunicações com os espíritos. Além disso, principalmente no Brasil, é possível observar uma maior tolerância por parte de muitos leigos católicos às práticas mediúnicas.[34]

Atualmente, muitas comunidades evangélicas, apesar de não concordarem com os preceitos teológicos e filosóficos do espiritismo, têm procurado, da mesma forma, manter com este uma relação respeitosa, por reconhecer nos trabalhos sociais desenvolvidos pelas casas espíritas uma atividade séria e comprometida. Algumas, inclusive, têm buscado uma aproximação concreta com as instituições espíritas, seja por meio da realização de cultos ecumênicos, seja através do diálogo inter-religioso.

A doutrina espírita, por sua vez, respeita todas as religiões e doutrinas, valoriza todos os esforços para a prática do bem e trabalha pela confraternização e pela paz entre todos os povos e entre todos os homens, embora rejeite firmemente, reitere-se, dogmas fundamentais das religiões monoteístas; no caso particular do cristianismo, destacam-se o da divindade de Cristo, o da Santíssima Trindade, o da salvação/justificação pela graça (mais que pelas obras/esforços individuais), e o da existência e importância da Igreja como entidade espiritual, não apenas humana. Por isso existe uma barreira muito dificilmente transponível entre os católicos tradicionais e os espíritas. O Espiritismo tem como máxima a frase “Fora da caridade não há salvação”, o que significa que, em sendo benevolente e caridoso, qualquer um será gratificado, independentemente da sua crença – ao contrário do que creem os cristãos, que é a justificação pela fé em Cristo como Deus encarnado, e pelos Seus méritos, muito mais que pelas suas obras.

[editar] Cristianismo

Livro de Léon Denis que liga a moral cristã e as leis morais do espiritismo.

A doutrina espírita adota a Moral cristã[nb 5], apesar de suas concepções teológicas diferenciadas. Para os espíritas, nome dado aos seguidores do Espiritismo, Jesus Cristo se trata do espírito mais elevado a já ter encarnado na Terra[35], bem como o modelo de conduta para o auto-aperfeiçoamento humano, tendo provado, pela prática da caridade absoluta e pela sua própria encarnação, que o homem pode suportar as provas necessárias para a sua elevação espiritual.

Os espiritistas (tradução muito usada durante as primeiras décadas do século XX para o neologismo francês spirite) ou espíritas, afirmam-se cristãos e atribuem à doutrina espírita o caráter de uma doutrina cristã, já que consideram seguir os ensinamentos morais de Jesus. Entretanto, essa associação entre o espiritismo e o cristianismo é contestada pelas religiões de tradição judaico-cristã, sob a alegação de que, embora partilhem de valores morais semelhantes, a rejeição espírita a diversos dogmas bíblicos e teológicos preconizados por elas inviabilizaria a conceituação do espiritismo como cristão.

Os espíritas fundamentam sua defesa do carácter cristão da doutrina espírita no fato de Allan Kardec defender que a moral cristã, isenta dos dogmas de fé a ela associados, seria o que de mais próximo a um código de ética divino e racional o homem possui. Os espíritas argumentam que os dogmas foram elaborados ao longo dos séculos pela Igreja Católica, não sendo, por isso, necessário segui-los para ser cristão. Além disso, o item 625 d’O Livro dos Espíritos afirma ser Jesus o maior exemplo moral de que dispõe a humanidade, apesar de o espiritismo negar a ele qualquer carácter efetivamente divino.[36]

A professora Dora Incontri, pós-doutorada pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, também defende o caráter cristão da doutrina espírita, apontando, na proposta estruturada por Allan Kardec, um novo modelo de religião, alheio a dogmas, fórmulas, hierarquias sacerdotais e baseado eminentemente no aspecto ético-moral do indivíduo. Considera ainda Jean-Jacques Rousseau e Johann Heinrich Pestalozzi como os dois grandes precursores da ideia de uma “religiosidade natural”, predominantemente moral, e defende que “evidenciou-se com a publicação de “O Evangelho segundo o Espiritismo” e de “O Céu e o Inferno” que, embora não o confessasse, ele [Kardec] estava fazendo uma nova leitura do Cristianismo”.[37]

Um estudioso da religiosidade brasileira mais cético, o Prof. Antônio Flávio Pierucci, do Departamento de Sociologia da Universidade de São Paulo, centra sua análise em aspectos sociológicos ao defender que o espiritismo não é uma religião legitimamente cristã. Segundo ele, os espíritas utilizam o cristianismo para se legitimarem. Pierucci defende também que o vínculo com a Igreja Católica, defendido pelos espíritas serviu, durante décadas, para lutar contra a discriminação e a intolerância.[38]

A Congregação para a Doutrina da Fé, herdeira do Santo Ofício, em 1 de junho de 1917 condenou a prática do Espiritismo e proibiu aos católicos participarem, sob qualquer pretexto de reuniões espíritas:

(…) partecipare, con medium o senza medium, servendosi o no dell’ipnotismo, a sedute o a manifestazioni spiritiche, anche se hanno un’apparenza onesta o pia, sia s’interroghino le anime o gli spiriti, sai si ascoltino le risposte, sia ci si accontenti di fare da osservatori, quand’anche si dichiarasse tacitamente o espressamente che non si vuole avere alcun rapporto con gli spiriti cattivi.[39]

[editar] O conceito bíblico

As religiões de matriz judaico-cristã entendem que, com a Lei dada a Moisés no Antigo Testamento, Deus interditou à antiga Israel as comunicações com o mundo dos espíritos e o uso de poderes sobrenaturais por eles concedidos. “… não haverá no meio de ti ninguém que faça passar pelo fogo seu filho ou sua filha, que interrogue os oráculos, pratique adivinhação, magia, encantamentos, enfeitiçamentos, recorra à adivinhação ou consulte os mortos (necromancia)” (Deuteronômio 18:10-14). Afirmam ainda que essa proibição é confirmada no Novo Testamento, pelas referências contidas nos Evangelhos e no livro de Atos dos Apóstolos aos “espíritos impuros”. A citação do apóstolo Paulo em Gálatas 5:20, afirma que quem pratica “feitiçaria (ou bruxaria, o termo grego usado é farmakía) … não herdará o Reino de Deus”. (Na Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas, o termo é vertido por “espiritismo”. Mas esta aplicação da palavra não se refere, por óbvias razões cronológicas, à doutrina espírita). É comum encontrar referências ao uso do termo Espiritismo para denominar outras doutrinas e cultos que não sejam aquela codificada por Allan Kardec.

Já para a doutrina espírita, a Bíblia não condena a prática mediúnica em si, pois esta seria fundamentada em um fenómeno natural. A condenação bíblica, que também encontra apoio no movimento espírita, é a uso dos recursos mediúnicos para finalidades frívolas ou voltadas ao benefício próprio. Segundo ela, diversas passagens bíblicas exemplificariam a fenomenologia mediúnica, a exemplo de I Samuel 9:9, II Crônicas 16:7, e Mateus 17:1-8.

Ao mesmo tempo, a postura analítica da Doutrina Espírita propõe que se avaliem os textos bíblicos, quando verdadeiramente originais, de forma crítica, levando em conta o seu patamar simbólico, em função dos recursos vocabulares e figuras de linguagem disponíveis à época, em ensinamentos dirigidos a um povo simples e sem repertório, e, consequentemente, desprovido das complexidades e riquezas linguística, cultural e material necessárias para a compreensão de conceitos que nem mesmo o homem atual, como todas as suas aquisições intelectuais, é capaz de compreender em toda a sua profundidade.

[editar] Críticas

Ver artigo principal: Críticas ao espiritismo

Um foco importante de críticas à Doutrina Espírita se volta contra os princípios do Espiritismo, como a reencarnação, a mediunidade e a lei da evolução espiritual. Grupos de céticos e de cristãos contestam também a caracterização do espiritismo como um movimento científico e cristão, defendida por adeptos.[40][41][42]

No entanto, a Doutrina Espírita não condena nenhuma outra prática religiosa.[carece de fontes?]

[editar] Ver também

[editar] Notas

  1. Atualmente existem estudiosos espíritas no Brasil que preferem denominar como fenomenologia espírita o estudo e as pesquisas que se referem aos fenômenos do espírito e da mente humana
  2. Existem várias e várias áreas do conhecimento em que os métodos científicos tradicionais não podem ser aplicados – ou cujos métodos transcendem os definidos pela metodologia científica – e como exemplo pode-se citar a própria Filosofia. Em ambos os casos tais áreas não se caracterizam, contudo, como áreas de estudo científicas, e no caso particular da filosofia a ciência geralmente responde de forma enfática: “Ciência é o que você sabe. Filosofia é o que você não sabe” (Bertrand Russell); “A filosofia da ciência é tão útil para o cientista quanto a ornitologia para os pássaros” (Richard Feynman) – conforme relatado por Simon Singh – Big Bang (pág. 459. Vide referências).
  3. “A ciência só pode determinar o que é, não o que deve ser, e fora de seu domínio permanece a necessidade de juízos de valor de todos os tipos” (Albert Einstein); “O homem domina a natureza não pela força, mas pela compreensão. É por isto que a ciência teve sucesso onde a magia fracassou: porque ela não buscou um encantamento para lançar sobre a natureza” (Jacob Bronowski). Ambas as citações conforme relatado por Singh, SimonBig Bang (pág. 459)
  4. “… qualquer teoria em Física [científica] é sempre provisória, no sentido de que é apenas uma hipótese, você nunca pode prova-la em definitivo. Não importa quantas vezes os resultados das experiências estejam de acordo com algumas teorias, não se pode ter a certeza de que na próxima vez o resultado não irá contradizê-las. Por outro lado, você pode refutar uma teoria por encontrar uma única observação que não concorde com as suas previsões” – Stephen Hawking – Conforme publicado em Uma breve história do tempo
  5. Léon Denis escreveu: “O ideal que proclamam as vozes do mundo invisível não é diferente daquele do fundador do cristianismo“. René Kopp também escreveu: “O Espiritismo será cristão ou nada será“. Mais detalhes sobre esta percepção podem ser obtidos em O Espiritismo Cristão.

Referências

  1. Enciclopédia Barsa. [S.l.]: Encyclopaedia Britannica Editores Ltda., 1970.
  2. Spiritism/Kardecism. Universidade de Cumbria. Página visitada em 13 de abril de 2010.
  3. Kardecist Spiritism Spirits Spiritual Kardecism World Kardec. economicexpert.com. Página visitada em 13 de abril de 2010.
  4.  Allan Kardec. O Que é o Espiritismo: noções elementares do mundo invisível pelas manifestações dos espíritos; tradução direta do original francês por Wallace Leal V. Rodrigues. São Paulo: Ed. LAKE, 1998
  5. Johannes Greber
  6.  In Canada, Spiritism is an officially-recognized religious denomination (unique in the world) as The National Spiritist Church of Alberta (Church #A145 registered by Department of Vital Statistics, Government of Alberta – under The Marriage Act of Alberta) with government-licensed clergy and legal authority to perform marriages.
  7. David Hess. Spirits and Scientists: Ideology, Spiritism, and Brazilian Culture, Pennsylvania State Univ Press, 1991
  8. Santos, Dalmo Duque dos. Nova História do Espiritismo: Dos precursores de Allan Kardec a Chico Xavier. 1ª ed. Rio de Janeiro: Corifeu, 2007. 402 p. ISBN 9788599287705.
  9. Para Entender Roustaing, Luciano dos Anjos, Ed. Lachâtre, 2005.
  10. a b Esclarecimentos sobre o que é o Espiritismo. ipepe.com.br. Página visitada em 13 de abril de 2010.
  11. Kardecismo como Espiritismo: um Conceito. ceismael.com.br. Página visitada em 13 de abril de 2010.
  12. Dicionário Eletrônico Houaiss de Língua Portuguesa 2.0.1. [S.l.]: Objetiva Ltda, 2007. [1] (ligação disponível apenas para assinantes UOL.
  13. Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. [S.l.]: Nova Fronteira, 1999.
  14. Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa. [S.l.]: Melhoramentos, 1998.
  15. Da Cunha, Antônio Geraldo. Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. [S.l.]: Lexikon, 1986.
  16. APOMETRIA – (Biografia Dr. Lacerda). Caso do Jardim – Entidade Espírita Assistencial. Página visitada em 13 de abril de 2010.
  17. Ver: Triste episódio ocorrido em 1953 Consultado em 14 de Junho de 2008.
  18. O Evangelho segundo o Espiritismo (epígrafe), Allan Kardec
  19.  HELLERN, Victor; NOTAKER, Henry; GAARDER, Jostein. O Livro das Religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000 ISBN 85-7164-994-4 p. 259.
  20. O Brasil é a capital mundial do Espiritismo Jornal Mundo Espírita
  21. Anais do V Congresso Internacional de Barcelona (1934).
  22.  Allan Kardec. O Livro dos Espíritos (em português).
  23.  Allan Kardec. O Livro dos Médiuns (em português).
  24.  Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo (em português).
  25.  Allan Kardec. O Céu e o Inferno (em português).
  26.  Allan Kardec. A Gênese (em português).
  27. Ranking na Adherents.com Acessado em 4 de janeiro de 2011
  28. a b Estas informações são encontradas nas planilhas disponibilizadas pelo IBGE no seguinte endereço:[2]. Encontram-se réplicas destes dados nos seguintes sítios: [3], [4] e [5]
  29. Países-Membros do Conselho Espírita Internacional. Acessado em 4 de janeiro de 2011
  30.  A classificação das religiões usadas pelo IBGE está disponível através do caminho Censo_Demografico_2000/Anexos/CD_1 no link http://www.ibge.gov.br/servidor_arquivos_est/
  31. SANTOS, Cláudia. Cuba, o segundo país mais espírita do mundo. Associação Médico-Espírita Internacional.
  32.  Singh, Simon – Big Bang – Editora Record – Rio de Janeiro / São Paulo – 2006. ISBN: 85-01-07213-3 – Capítulo “O que é ciência?”, e demais.
  33.  Hawking, Stephen – Uma breve história do tempo- Lisboa: Gradiva, ISBN 972-662-010-4 ; 1988; Rio de Janeiro: Rocco, ISBN 85-325-0252-0 ; 1988
  34. Comunicação com os mortos
  35.  Allan Kardec. O Livro dos Espíritos, questão número 625.
  36. Obras Póstumas, 13.ª Edição, pág. 121
  37. Pedagogia Espírita: um projeto brasileiro e suas raízes histórico-filosóficas. São Paulo: Feusp, 2001. p. 74
  38. Afinal, espiritismo é religião? A doutrina espírita na formação da diversidade religiosa brasileira USP
  39. Cronologia Espírita: 1914-1945 Tempos de Comoções in Grupo de Estudos Avançados Espíritas. Visitado em 4 Jun 2011.
  40. MinistérioCACP – Um espírita pode ser cristão?
  41. Por que Kardec se diz cristão?
  42. LEWGOY, Bernardo. Representações de ciência e religião no espiritismo kardecista. Civitas, Porto Alegre, v. 6, n. 2, jul.-dez. 2006, p. 151-167.

[editar] Bibliografia

  • AKSAKOF, Alexandre. Animismo e Espiritismo. Rio de Janeiro, FEB, 1956.
  • CASTELLAN, Yvonne. Le Spiritisme. 5º ed. Paris, Presses Universitaires de France, 1974.
  • CHIBENI, Silvio Seno. O paradigma espírita, 1994.
  • COLOMBO, Cleusa B. Idéias sociais espíritas. São Paulo, Comenius, 1998.
  • DOYLE, Arthur Conan. História do Espiritismo. São Paulo, Ed. Pensamento, 1960.
  • INCONTRI, Dora. Pedagogia Espírita, um Projeto Brasileiro e suas Raízes. Bragança Paulista, Comenius, 2004.
  • LAPLANTINE François e AUBRÉE Marion. La table, le livre et les Esprits – Naissance, évolution et actualité du mouvement social spirite entre France et Brésil. Paris, Ed. Lattès, 1990.
  • PESOLI, Fabrizio. Aspetti della ricerca scientifica sullo spiritismo in Italia (1870-1915), Università degli Studi di Milano 1999. 1
  • STOLL, Sandra. Entre Dois Mundos: o Espiritismo da França no Brasil. Tese de doutorado, São Paulo, USP, 1999.
  • RANDI, James. The Faith Healers. Prometheus Books, 1989
  • CARNEIRO, Victor Ribas. ABC do Espiritismo (5a. ed.). Curitiba (PR): Federação Espírita do Paraná, 1996. 223p. ISBN 85-7365-001-X
  • LANTIER, Jacques. O Espiritismo. Lisboa: Edições 70, 1980. 196p.
  • RIZZINI, Jorge. J. Herculano Pires, o apóstolo de Kardec. São Paulo: Paideia, 2000. 282p. ISBN 0000035491
  • ANJOS, Luciano dos. Para Entender Roustaing, Bragança Paulista, SP, Ed. Lachâtre, 2005. p.111. ISBN 85-88877-39-2

 

[editar] Ligações externas

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikcionário Definições no Wikcionário
Wikilivros Livros e manuais no Wikilivros
Wikiquote Citações no Wikiquote
Wikisource Textos originais no Wikisource
Commons Categoria no Commons
Wikiversidade Cursos na Wikiversidade

[editar] Obras da codificação (em domínio público)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s