Engenheiro da Petrobras apresenta robô que anda sobre a água em Seminário de Iniciação Científica


22/10/2009

Ao pesquisar sobre a origem de um simples band-aind, abridor de lata ou estilete descobre-se que nela estão envolvidas inovações em processos que se aprimoram ao longo do tempo. As ideias para isso, tanto para descobrir quanto para transformar uma invenção antiga, podem surgir logo na graduação ou antes, no ensino médio ou fundamental, por meio da Iniciação Científica. É o que defende o engenheiro Ney Robinson Salvi dos Reis, coordenador do Laboratório de Robótica do Centro de Pesquisa da Petrobras, que apresentou um robô desenvolvido pela empresa estatal e que está aberto a contribuições de universidades e centros de pesquisas.

A palestra “Inovação: por quê?”, proferida por Reis, abriu a 15ª edição do Seminário de Iniciação Científica da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Na solenidade de início do evento, a pró-reitora de Pesquisa, Marta D’Agosto, afirmou que a UFJF tem muito a comemorar em relação à obtenção de recursos e bolsas para pesquisa, ainda mais nos últimos meses, quando a quantidade delas para a iniciação científica dobrou para 300, desde o segundo semestre de 2006. O coordenador de Programas de Pesquisa, Márcio Tavares Rodrigues, considerou que a iniciação é uma das forças propulsoras da pesquisa na Universidade. Já o vice-reitor José Luiz Rezende Pereira citou que poucas instituições do país custeiam cursos de pós-graduação, como a UFJF faz. Para cada programa que tenha doutorado, são investidos R$60 mil, já os de mestrado recebem R$40 mil da verba de manutenção da instituição.

Para valorizar a “pirâmide acadêmica”, termo abordado pelas autoridades em relação à gradação dos bolsistas que logo se tornam professores e integrantes de mestrado ou doutorado, o palestrante apresentou ao público, por meio de projeção, o robô ambiental híbrido “Chiquinho”. O apelido é em homenagem ao seringueiro ambientalista Chico Mendes. A máquina é capaz de andar sobre a água e capaz de reconhecer e adpatar-se a diferentes tipos de obstáculos em áreas de difícil locomoção. Está sendo empregado nos rios da Amazônia, principalmente em regiões alagadas (igarapés) do Rio Solimões, para acompanhamento e monitoramento ambiental da área em que está instalado um gasoduto. “O robô atravessa o colchão vegetal dos rios, sem cortá-lo, por onde qualquer embarcação não passaria“, ressalta, mostrando experiências bem-sucedidas do projeto na Amazônia.

Baseado no formato de insetos patinadores sobre o espelho d`água, presentes na selva brasileira, o robô possui tração inteligente nas quatro rodas semicirculares, que foram patenteadas junto com o sistema de suspensão, que se moldam de acordo com a superfície. ”O robô é equipado com câmera que envia imagens para o barco que o acompanha a distância, coleta lixo, amostras de larvas de insetos, mede Ph da água, turbidez, oxigênio dissolvido entre outros que servem como indicadores da qualidade da água.” São características que o leva a atuar em outros projetos, como de ciências biológicas, meio ambiente e saúde, algumas das razões para inovar.

A iniciativa da Petrobras prevê ainda a melhoria na construção de robôs em três tamanhos diferentes, inclusive um que possa transportar pessoas, com movimentos mais velozes. Para o desenvolvimento dessa tecnologia, Reis explica que precisa da contribuição de mais universidades brasileiras em linhas de pesquisas, como geração de energia, ergonomia, veículos autônomos, computação gráfica e sensor físico-químico. ”É um convite para vocês”, afirma, apontando para a plateia.

Para demonstrar o próprio invento, o palestrante exibiu curiosidades análogas sobre o surgimento de outras invenções, como o abridor de lata em 1855. Quando os enlatados surgiram, em 1812, o fabricante recomendava o uso de martelo e talhadeira para poder usar o produto que ela trazia. Somente depois de novas iniciativas, é o que abridor surgiu. Reis lembrou ainda o papel de grandes inventores como Leonardo Da Vinci e Santos Dumont e do visionário Julio Verne.

Conforme Ney Ronbinson, entre as qualidades de um inovador, a pessoa precisa ser criativa, sonhadora, visionária, estudiosa, teimosa, perseverante e empreendedora. A comunidade acadêmica e em geral têm uma oportunidade de descobrir até esta sexta-feira, dia 23, na galeria do Seminário, na Praça Cívica, como os alunos da Iniciação Científica usam essas características, além de saber a origem e detalhes das invenções de que estão participando.

http://www.ufjf.br/semic

Fonte: UFJF

Fonte: http://www.meusamigos.net/juiz_de_fora_regiao/engenheiro_da_petrobras_apresenta_robo_que_anda_sobre_a_agua_em_seminario_de_iniciacao_cientifica/

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